Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Gripe

Acabo de chegar do médico. Sim, estava apavorado!

Tudo começou quando assisti na televisão os sintomas da nova gripe (Influenza A). O repórter falava da dor de cabeça, de garganta, sem contar dores no corpo, e ainda disse que se a pessoa sentisse falta de ar, o caso era grave.

Fiquei encabulado com essas coisas, foi quando comecei com uma dor de cabeça. Pensei : "Estou passando muito tempo na frente do computador". Logo depois meu corpo inteiro doía. Pensei brincando : "Peguei a gripe suína pela televisão". Passados quinze minutos, já tinha falta de ar, febre, dor de garganta, tosse, e tudo que o diabo poderia arranjar para alguém.

Fiquei preocupado, afinal tive em contato com muitas pessoas, de várias cidades, senão de vários países. Fiquei uma arara. Prometi que se eu morresse, eu iria aprontar uma revolução no céu, ou no inferno (que seja). Não por morrer novo, é por pegar essa gripe sem nem sequer ter saído do meu Estado! Sacanagem! Se pelo menos eu tivesse viajado, conhecido Estados Unidos, Canadá, México... Tudo bem, morreria conformado... Mas não fui nem a Argentina, que é aqui do lado!

Nisso os sintomas iam piorando, tive que me deitar. A cabeça pesando. Até que ligo a televisão, e novamente o mesmo repórter dá mais informações sobre a doença. Diz que a taxa de mortalidade é muito baixa. Fico mais "puto" ainda! Como que me fazem tanto alarde duma doença, se quase ninguém morre com ela? Daqui um mês vamos ter anticorpos para ela, vai ser uma "gripezinha" normal. Até que vejo um ponto bom na história, lembrei daqueles "bons" quarenta dias! Sem precisar de trabalhar, ter obrigações, e talvez ainda iriam fazer compras para mim. Foi quando comecei a fazer uma lista de filmes que gostaria de assistir, de livros para ler, de coisas que gostaria de comer. E caso eu morresse, fiz uma carta deixando meu cachorro para o meu irmão - era tudo que eu tinha.

Feliz, mas com dores, decidi deixar a noite passar, e de manhã procurar um médico para já confirmar minha gripe. Logo de manhã fui atendido. Decepção. O médico me disse que era uma gripe comum, senão uma "gripe psicológica". A gripe suína tinha como sintoma a coriza também. Isso eu não tinha. Briguei com ele. Queria porque queria um exame de sangue. Ele me disse que precisava de um exame psiquiátrico. Não achei engraçado. Fui-me embora. E terminou assim. Sem graça, sem novidades, sem quarentena. Bom, pelo menos estou vivo.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Brasileiro

Tem cor do melado das canas,
Mãos duras com pétreos calos,
Nos pés, um par de havaianas.
Roupas limpas de panos ralos.

Os olhos perdidos em problemas,
Tão tristes, sem alegria.
Máquinas, humanos em algemas.
Não tem sentido, nem primazia.

Dependendendo de boas vontades,
Seguem seus dias na melancolia.
O que fizeram com suas liberdades?
Pintaram-na num quadro outro dia.

Trabalho, suor, contas, e o amanhã.
Jardineiro, Cozinheiro e Caminhoneiro,
Essa é a vida quase vã,
Da profissão Brasileiro.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Flores do Asfalto

Algumas vezes preciso de alguém que me escute,
Ou simplesmente um papel para qualquer desabafo.
Outras vezes prefiro sair andando sozinho.
Conversando comigo mesmo, ou com o vento.
Sentar e olhar o horizonte.

Se me vires assoprando em alguma viela,
Não é tique, nem considero loucura.
É uma forma de brincar com a solidão.
O que é mais estranho, é que não sou só.
Quase sempre opto em me isolar,
É minha maneira de me "colocar no eixo",
Escutar meus reclames, ouvir minha poesia,
Compor músicas que não sei tocar em qualquer instrumento.
São músicas natimortas.
Só ouço uma ou duas vezes.

E quando fico insone pela madrugada,
Me pego escrevendo.
Não escrevo para que alguém leia.
- Me desculpem os meus poucos leitores,
Me sinto engrandecido quando sou lido.
Mas não escrevo para essa sensação (passageira).
Escrevo, porque sinto que os textos querem existir.
Normalmente, já estão prontos. Só precisam de mim.
Então escrevo, e deixo que meus rascunhos se aglomerem.
Quem sabe um dia viram livro.
E realmente, sirvam para serem lidos.

E assim vou seguindo.
Assoprando palavras.
Colhendo as flores do asfalto.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Memórias


Ainda vejo claramente seu rosto.
Nos seus lábios, palavras irrisórias,
Na minha boca, o teu gosto,
E tudo, p'ra sempre memórias.

Mas o "sempre" é tão particular,
Que meu "sempre" um dia deixará de existir.
Talvez, exista a efemeridade no amar,
Ou então, incoerência no despedir.

Gravadas, todas as frases ditas,
Cada um dos anseios em sorrir,
As memórias, ainda que pareçam perdidas,
Nem por isso deixam de existir.

E se me perguntarem o que acho do mundo,
Direi que todos os cálculos estão errados.
Mas quem dará ouvido a um poeta vagabundo,
Que aprecia os momentos já enterrados?

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Alguém em mim.

Domingo, 31 de Maio de 2009

Choro


Poeta, não caduque,
Não escute o peito que chora,
Porque choros passam.
Bom é ser criança que chora,
e coloca lágrima p'ra fora.
Depois cresce, pensa que é forte,
chora por dentro, e chora doído!
Ninguém vê, ninguém sabe.
Chora sozinho, sem beijinho.

Assim desconcertante,
Como o fluxo da vida.
Hoje você é. Amanhã você foi.
Ontem você será.
Poeta, você não apenas foi.
Mas você será, Poeta!

Porque "ser" não é assim tão fácil,
Como escrever no papel.
Porque ser também é sentir.
E quem sente, chora.
Então Poeta,
Chore.
Chore palavras, porque já não é lágrima,
Já não é sal e água. É lápis e papel.
É seu alívio temporário.
Sua droga de fuga.
Válvula de Escape.
Anestesia.
Beijinho.
Sopro.
Solidão.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Esfinge

Onipotente no deserto,
- Que durante a noite é frio.
Sente-se só, sem alguém por perto,
Porque deixar tudo tão vazio?

Por favor pare com os enigmas persuasivos,
Chega de sujeito indeterminado,
frases soltas, verbos intransitivos,
"Decifre-me ou serás devorado".

Oh Esfinge, se ainda no teu peito algo pulsa,
Se ainda resta em ti alguma emoção,
Saiba que não és de todo perfeita, uma musa,
Te faltas um nariz, e um pouco de coração.

Durante o dia, tua sina é brilhar,
Mas a noite quando é tudo tão melancólico,
Sem ninguém pra te aplaudir, observar.
É que meu peito insiste em te amar.

Domingo, 10 de Maio de 2009

Histórias de Viagens

Chego ao guichê da rodoviária:
- Por favor, uma passagem para Boa Esperança.
- Pois não, gostaria de escolher um lugar?
Eita, escolher um lugar... Tantos lugares bons... Tenho que escolher um bem escolhido. Um perto de uma saída de emergência (sou muito novo para morrer), mas também tem que ser perto da janela, e como sou espaçoso, quero um que diminua as chances de alguém desagradável se sente ao meu lado. Eis que salta aos meus olhos:
- Posso ficar com o número 23?
- Claro. É seu.
Barulho da impressora fazendo meu bilhete. Saí como se tivesse feito a descoberta do século! Número 23! Que gênio! Analiso as vantagens: Janela, centro do ônibus, saída de emergência, e do lado da poltrona 24! Nenhum homem em sã consciência iria pedir a poltrona 24. Aumentaria as chances de ser uma mulher bonita! Ou...

Bom, na verdade era uma sexta feira que antecedia a Páscoa. Ou seja... O ônibus iria lotar. Chego ao ônibus, sento na minha poltrona contente. Inclino-a para trás. Passa-se alguns minutos sinto alguém se sentando ao meu lado. Olho. Era um homem!!! Todos meus neurônios começaram a trabalhar, criando teorias para explicar aquele acontecimento. Será que ele era gay? Começo a reparar nas vestes, no jeito. Barba, camisa social aberta um pouco no peito. Calça jeans, sapatênis. É... não tinha muito aspecto "feminino". Mas ele pode ser um gay não assumido. Ele inclina a sua poltrona, coloca o fone no ouvido. Bom, se for gay, que diferença faz? Ele não vai me morder. Tenho alguns amigos que são gays... Nunca nem falaram nada estranho comigo. Existe o respeito. Fiquei tranquilo.

Passam se algumas horas. O rapaz começa a dormir. E como ronca! Senhor! É... às vezes penso no conforto de se ter um carro. O rapaz parecia ter um motor a diesel no lugar da garganta. Nesse meio tempo, vai outro homem ao banheiro do ônibus. Um caixote de plástico com um vaso sanitário dentro. Não é por nada não, mas reparo que o homem demora um pouquinho a mais, para sair do banheiro. Mais uma vez uma descarga de teorias. Será que ele passou mal e desmaiou? Será que ele está com alguém lá dentro? Bom, depois penso, isso também não é problema meu. Pra quê? Não é, que realmente se tornou um problema meu, aliás, do ônibus todo? O maldito tinha usado o banheiro para o famoso número 2, ou para os mais depravados, tinha cagado mesmo. Deus é pai! Além do ronco do moço estranho ao meu lado, agora estava mergulhado em um ar fétido, desses que se acender um fósforo, é uma bomba de metano na certa. Tentei desesperadamente abrir a janela. Quando uma luz de razão se apoderou do meu cérebro e me lembrou que o ônibus era ar condicionado! Ou seja... Janelas lacradas. Só poderia ser castigo. Tentei ativar o ar condicionado. Resultado: Piorou. Ah como eu gostaria de estar munido de um frasco de "bom ar" a essas horas. Acho que o cheiro estava tão "sinistro" (como dizem meus amigos) que o rapaz ao meu lado acordou. Também pudera, dormindo de boca aberta. O cheiro tava entrando pela sua boca. Tive vontade de rir. E pensei. Já que não adianta fazer nada... Abri um livro, e comecei a ler. Tragédia. Meu estômago embrulhou, fiquei enjoado. Vomitei no rapaz ao lado. Sacanagem. Mas não consegui segurar. Ele deu um grito tão diferente. Desses bem agudos. Depois engrossou a voz e me xingou. Pedi perdão, e disse que compraria outra camisa para ele. Ele se acalmou e disse que não precisava. Trocou a camisa. Menos mal. Não iria ter dinheiro mesmo. Passaram-se mais alguns minutos em que eu, sem graça de tudo, admirava a paisagem, com vergonha de olhar para o companheiro ao lado. Aliás, paisagem que nada. Mato, mato, e mais mato. Até que... Chegamos ao destino! O fim do inferno estava próximo. Pedi desculpas mais uma vez. Tudo ficou bem.

Acabou a minha via sacra. Pelo menos descobri que o rapaz era gay mesmo. E que o número 23 não está a salvo do fedor do banheiro. Aprendi também, que quando tenho essa tempestade de teorias, quase nunca penso em uma teoria útil. Na próxima, pego outro número.

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Primeira vez que tento escrever um conto. Tentei escrever um texto cômico. Baseado em uma história contada por um tio meu. Não ficou muito ao meu gosto, o conto ficou um tanto "sujo". Mas eu vou deixar registrado. Tenho uma teoria, que não devo apagar o que escrevo. rs.

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Alegria

"(...) Alegria? Tinha medo de fazer uma análise íntima, de olhar para dentro de si mesmo, pois seria cruel descobrir que a represa estava seca ou que continha apenas mágoas, incertezas, gritos de espanto e dúvida, velhos recalques... (...)"
Trecho de "Olhai os Lírios do Campo" - Erico Verissimo.

Domingo, 19 de Abril de 2009

Vitral


Criar, escutar, ver, sentir.
Parede, rapariga, violetas, e um cão.
Escrever, suar, correr, pintar, sorrir.
Cidade, vielas, ruas, trem, bonde, avião.

Recortes, palavras, soltas, papel.
Flashes, som, energia, enigmas, vitral.
Morro, mato, cachoeira, montanha, e céu.
Moça, triste, janela, vidro e peitoral.

Boi, lírios, campo, pasto e cafezal
Maria, avó, cozinha, doces, galinha.
Minas, Brasil, quente, alegre, tropical.
Piorra, bola, jabuticaba, pinguelinha.

Preto, Branco, Vermelho, Verde, Azul, Amarelo.
Riqueza, Amazônia, Aldeias, tupiniquim.
Chicote, aço, correntes, algemas, elo.
Início, Começo, Meio, ápice, fim.

Sábado, 18 de Abril de 2009

Stela

Estrelas...
Quantos versos não foram dedicados,
Quantas músicas não foram cantadas,
Quantos suspiros de amor observados,
Quantas vezes não foram enumeradas?

Direi, não foram em vão tuas homenagens.
Homenagem, é poder nomear uma pessoa de estrela.
Invocar em apenas uma palavra, beleza e humildade.
É assim o nome de minha avó.
E que sucumbam os poetas em suas poesias.

Se encontrarem um sorriso tão doce,
Se sentirem um coração tão bondoso,
Se descreverem meu amor por esta alma,
Direi, é possível contar estrelas.

Enquanto não se descreve amor igual,
Enquanto não se contam estrelas,
Uma frase ecoará para sempre no meu peito.
Eu te amo, vovó Stela.

Domingo, 5 de Abril de 2009

Toque

Decidi querer seu toque,
Sentir na alma sua melodia,
Permitir que me invoque,
Transpirando poesia.

Ao som do nosso rock,
Te abraçar em meu peito,
ainda que seja um choque,
é assim o nosso jeito.

Mas ainda que na noite,
eu deseje o teu beijo,
este será o meu açoite,
e por fim meu desejo.

Domingo, 29 de Março de 2009

Incoerências e Outonos.

É março, é outono.
É o nublado, o frio.
Chuvas incansáveis e finas.
É o vazio, o aperto no peito.
É lembrança, é fotografia.
É som do vento na janela.
Dos filmes nas tardes de domingo.
Das missas das 7.
Dos sorrisos jovens.

Me paro e me questiono,
Terei nascido velho?
Sou um jovem atípico.
Daqueles que gostam de bons livros,
De água sem gás, ou uma coca-cola gelada.
Que gosta do carinho, com retorno amanhã.
Escuto Bossa, Guns'n'Roses e Chopin.
Estudo engenharia e faço poesia.
Sou um eterno outono.
Por vezes o frio aparente,
ou o calor das lareiras.
Mas assim, sempre meio apagado,
Meio nublado.
Não sou triste.
Sou assim, porque sou.
Devo ter nascido com algum neurônio desconectado.
Ou conectado errado.
Já criei várias teorias tentando me explicar.
Mas vejo que pessoas são inexplicáveis.
Mais uma vez, me pego escrevendo sobre mim.
Diria, um assunto desinteressante.
Em 6 bilhões de pessoas no planeta,
Essa é mais uma das tentativas de entender apenas uma.
Sem resultados.
No meio desse formigueiro humano,
Sou uma formiga diferente.
Que quer fazer a diferença.
Que diferença?
Talvez seja questão de outros outonos.

Sábado, 28 de Março de 2009

Coração

Aquiete-se coração insano,
Não entende que não pode ver?
Bata tranquilo dentro do peito,
Que aquela moça você não pode ter.

Não pode porque não pode,
Não me questione mais o porquê.
Se não consegues pensar,
Não posso ouvir você.

Ela não liga para seus pulos,
e você ainda a ama sem razão.
Tente não se debater muito,
para não me machucar, meu coração.

Terça-feira, 24 de Março de 2009

Esperança


Dizem que a esperança é a última a morrer,
Mas já começo a pensar que ela é imortal.
Para os cegos, a esperança de começar a ver,
Para os loucos, a esperança de ser normal.

Até para a morte - bem morrida,
a esperança mínima de um reencontro.
Para morte, um pingo de vida.
Para o infinito, a possibilidade do ponto.

Um sentimento tão nobre e puro,
Mas que sem querer consegue machucar,
É a agonia de correr para o futuro,
É uma forma torturante de amar.

Quando pensar que algo finalmente acabou,
Quando todo mundo se for, e você ficar,
Pense que se há a esperança é porque o fim não chegou,
E para a esperança, o único remédio é esperar.