domingo, 22 de novembro de 2009

Troféus

Hoje vaguei pelas ruas,
Soprei versos como orações.
Resmunguei sentimentos em cochichos.
Me culpei, para depois me perdoar.
Paguei uma bebida a um moribundo.
Escutei seus problemas, joguei cartas.
Depois enchi meu saco, fui embora.

Procurei uma lua no céu nublado.
Suspirei o ar quente da madrugada.
Cumprimentei acenos das prostituas.
Tentei me provar que elas eram boas moças.
Ingênuo.

Tentei dormir, em vão.
Rabisquei papéis, abri a geladeira.
Me embebedei - com coca-cola.
Seria tão mais fácil a vida,
Tão mais simples e menos confusa,
Se você estivesse comigo.

Não preciso de troféus.
Nunca precisei. Nunca os tive.
E nem procuro os ter.
Sou simples, por isso tão complexo.

Talvez por isso, eu esteja aqui.
Escrevendo assuntos íntimos.
Mas que nem por isso, secretos.

Troféus... Ah! Como são dispensáveis.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Carpe Diem



Se desejar algo para a vida,
deseje intensidade.

E quando for correr,
- corra o mais rápido que puder.
Sinta o vento no rosto,
a sensação de estar voando,
sinta o coração batendo forte,
o ar invadindo o pulmão com vida!

E quando for ler,
leia todo o livro,
imagine cada detalhe da história,
detenha-se em cada palavra,
cada frase.
Sinta sua capacidade de estar em outros lugares.

E quando for sair,
Vista-se da forma que achar mais bela.
Sinta-se o dono da noite,
o portador da juventude.
Sorria, beba, divirta-se!

Quando ouvir uma música,
Ouça a letra inteira,
Escute cada instrumento,
cada nota,
e depois o conjunto inteiro.
Dance, grite, cante!
Sinta a energia emanar.

Quando for amar,
Ame.
Amar é ser intenso.

Porque a intensidade,
é a forma de aproveitar o dia.
É a forma mais certa de ser feliz.

Carpe Diem.

(Não é o tipo de texto que gosto de escrever. Parece mais uma receita de bolo. Mas saiu assim).

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tormenta

Essa noite eu perdi o sono,
Já perdi a vontade de dormir.
Encontrei minha tormenta,
meu ponto de desequilíbrio.

Hoje perdi a cabeça,
Até perdi a linha de pensamento.
Encontrei o meu ditúrbio,
O meu lado desconhecido.

Agora perco minha rimas,
métricas, e outras baboseiras literárias.
Porque quando eu me perco,
Eu felizmente encontro você.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Regras

Leia jornais. Leia Machado de Assis.
Seja legal. Seja meu amigo.
Ouça o que o mais velho diz.
Revolucione esse mundo antigo.

Não pise descalço no chão.
Não abra a geladeira depois do banho.
Sal e gordura fazem mal ao coração.
Não converse com um estranho.

Na ferida, use Mertiolate.
Não perca média. Estude, trabalhe.
Cão que morde, dizem que não late.
Se não for ajudar, não atrapalhe.

Case quando tiver certeza de amar.
Ame quando tiver certeza de que irá para a Igreja.
Tenha poucos filhos, para o dinheiro poder sobrar.
Se ama seus filhos, bendito seja!

A vida e suas regras inerentes,
Para aqueles que alguma regra "quebra",
Tolos! Só seguiram regras diferentes,
Mas que nem por isso deixaram de ser regras.

domingo, 4 de outubro de 2009

Chuvas de Verão


Das coisas que disse,
Numa época que se foi.
Quero o esquecimento.
Não porque foram em vão,
nem mesmo porque são tristes.
É que agora, gosto de chuvas de verão.

A certeza de que a chuva passa,
logo mais tem sol.
E amanhã, choverá de novo.

Quero sujar meu tênis velho,
e meu jeans desbotado.
Quero ir (sujo) à bailes de gala,
Quero dançar com as "damas" impecáveis,
Recitar meus versos desprezíveis.
Tocar uma música em um violão,
Pisar nas poças de água,
Roubar rosas.
E jogá-las fora.
- Na sua janela.

E encontrar minha paz,
Meus momentos de criança,
e sem dúvida, de loucura.
Sentar e digitar palavras.
- apagar algumas.
Beber coca-cola.
Ouvir Guns.
Pensar em tudo que fiz,
e dormir.

Esperar amanhã a próxima chuva.
E quando terminar,
encontrar meu pedacinho de céu.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Apenas uma frase

O amor é o único argumento que um ser humano leva em consideração em prol da auto-destruição.

domingo, 13 de setembro de 2009

Menina

Hoje a menina, de olhar sereno,
perturbou todo meu universo,
Fiquei assim me sentindo pequeno,
Enquanto ela quebrava meu verso.

A menina então me desafiava,
De uma forma tão macia e calma.
Enquanto em conflito eu ficava,
Ela decifrou sentimentos da alma.

E como me entendendo, no que eu digo,
Me deixava ainda mais confuso.
Com sua coerência, ainda me intrigo,
Me fez sentir como um intruso.

Oh menina, que não é mais criança,
agradeço por ter me feito de teu brinquedo.
Em tuas mãos me senti em segurança.
Deixarei um beijo na ponta do teu dedo.

Delírios


Hoje te busquei dentro de mim,
ecoei seu nome por todo meu ser...
Mas você não está aqui.
É com você que me sinto vivo.
Por favor, me deixe sentir.
É um suplício de vida,
Antes que me definhe em morte.
Desejo o seu beijo,
Assim como preciso respirar.
- A cada instante.
Hoje soprei na madrugada fria,
"Eu te amo" de modo que o vapor,
Pudesse te alcançar...
Porque eu não posso?
Por que fazer isso com a gente?
Fique aqui pertinho de mim...
Deite sua cabeça em meu peito,
vamos falar, discutir, nos beijar, nos amar...
Para então cairmos no sono...

Porque tem que ser assim?
Eu te amo, e você sabe disso.
Hoje as palavras estão sendo lançadas,
sem regras, sem rimas.
Estão fluindo.
Mas se palavras valessem algo,
mudos não amariam...
Surdos seriam sozinhos.

Deixe me sentir.
Preciso de teu sentimento.
Se a lâmina corta a carne,
quero sentir a dor.
Se o fogo queima a pele,
quero me sentir em brasas.
Se eu sou capaz de amar,
quero sentir todo amor.

Porque é com você,
Que se diz impossível de se tocar,
Que está a milhas de distância...
Que quero estar.

É você, e ninguém mais.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Marcas

Ainda há marcas de quando fui feito de palhaço.
Ainda há marcas de quando fui morto.
Ainda há marcas de quando me calaram.
Ainda há marcas de quando falei.

Mas marcas são marcas de tantas coisas,
que no fim não são marcas de nada.
A marca que doeu outrora em mim,
é um mero diferencial visual para você.

Houveram marcas que desapareceram com o tempo.
Outras, continuam a doer incessantemente.
Assim como há marcas que cicatrizaram,
Mas continuam como lembranças.

Há marcas de tiros,
Há marcas de cortes,
Há marcas de mordidas,
de beijos, de preocupações,
de amores, de acontecimentos,
de felicidade, de tristeza,
de música e de poesia.

Há uma marca para tudo.
Há uma marca para você.
Há uma marca para mim.

sábado, 29 de agosto de 2009

Poder

Hoje me sinto esse espaço em branco.
Prestes a ser carregado com minhas palavras,
frases, e pensamentos que confundem a mim próprio.
Sinto a ausência das correntes.
Hoje, sinto que posso.
Hoje se eu quiser, posso voar.
Não sei como o farei. Mas sei que posso.
Poderá ser que não voe como uma ave,
- Nem os aviões o fazem.
Mas posso voar com saltos.
Ou voar com meus pensamentos.
O importante é que a vida continua, sempre.
Podemos estar aqui, ou estar lá.
Mas a vida continua.
Enquanto eu viver, eu poderei.
Posso dar um golpe de Estado amanhã.
Ou então me tornar um mochileiro.
Assim como posso querer deixar tudo como está.
- Mas se isso resolvesse, todos seriam felizes.
Entretanto, eu acredito.
Eu posso.
Eu vou.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Asas

Há quem diga que sonhos são ilusões,
Mas conheço quem diga que têm algum significado.
- Entretanto, não se sabe a forma mais certa de interpretá-los.
Há pessoas que acreditam em anjos,
Outras nem mesmo acreditam em Deus.
Há pessoas que tem ideais políticos, ideais revolucionários.
E também existem as que não se importam, as que se deixam enganar.
Há pessoas que acreditam no amor,
Outras o forjam e conseguem o que querem.

Há momentos em que se deseja estar só.
Outros a solidão chega a ser insuportável.
Há momentos em que se deseja um ano de folga,
porém depois de uma semana, o tédio começa a sufocar.
Há momentos em que desejamos o fim do mundo.
Mas quando nos deparamos com algum sinal do fim,
Desejamos e lutamos instintivamente pela vida.
Há momentos que se está bem consigo mesmo.
E existem alguns em que é preciso uma confissão.

Há quem confesse a um padre.
Já conheci quem confessasse com um amigo.
Eu confesso em minhas palavras.

Mas ainda admiro as confissões feitas em quadros.
Não aquela arte de decorar cômodos, mas a arte como instrumento de guerra.
Admiro quem se confessa por meio da música.
Não criando ritmos enjoativos, mas produzindo o alimento para a alma.
E tem ainda os homens que confessam na ciência.
Não criando bombas e armamento bélico. Mas descobrindo medicamentos e desenvolvendo o ser humano.

Conheci gênios. Mas digo que algumas das pessoas mais importantes da minha vida, ao menos conseguem ler.
Conheci lugares incríveis. Mas ao dormir, prefiro a casa simples de meus pais.
Conheci grandes instituições de caridade. Mas descobri que a melhor forma de ajudar o próximo se faz com uma palavra.

E quando descobrirem meu universo. Entenderem minhas palavras. Destruirão-me. Para depois me construirem.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Metamorfoses

Novamente as palavras me fogem.
- Um vazio, um silêncio constante.
Entretanto, desejo que as levem!
Quero a minha paz neste instante.

Talvez fugiram porquê cansei de fingir.
Ou então pegaram de volta a "dor" emprestada.
Assim, sem pedir, sem consentir.
Mas se a roubei, que seja por sua vez, de mim roubada.

E a dor que senti, pela qual sangrei,
Pode significar a presença de alguém.
Se tem uma coisa que na vida notei,
É que todos têm chances de recomeçar também.

Uma das melhores coisas é a certeza de um amanhã.
A certeza de que de manhã o sol retorna.
Para os ricos, pobres, trabalhadores ou mesmo para o bom vivã.
"Nada se perde, nada se cria. Tudo se transforma".

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Agora

O "agora" é tão rápido, que logo se vai embora.
Ainda procuro saber o que é viver.
Dizem "viva o hoje, viva o agora!"
Momentos. É o que queremos ter.

A vida não para, ela está aí.
quem siga do modo que acha certo.
Eu sigo do modo que penso que dará certo.

É quase imperceptível,
o quanto pulso dentro de ti.
Diria irreconhecível,
mas eu estou aqui.

Posso ser sua treva, seu lado "transtornado",
Mas te juro, não culpes o poeta,
por esse assunto encerrado.

A culpa é do vento, do sol e da tua melodia,
Das cores que vibram na aura, dos sorrisos incertos,
Das nossas lágrimas transformadas em poesia.

O poeta sofre por possuir defeito,
é um ser humano, afinal.
O que importa está no meu, e no seu peito.
Não é tão simples, como este ponto final.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Gripe

Acabo de chegar do médico. Sim, estava apavorado!

Tudo começou quando assisti na televisão os sintomas da nova gripe (Influenza A). O repórter falava da dor de cabeça, de garganta, sem contar dores no corpo, e ainda disse que se a pessoa sentisse falta de ar, o caso era grave.

Fiquei encabulado com essas coisas, foi quando comecei com uma dor de cabeça. Pensei : "Estou passando muito tempo na frente do computador". Logo depois meu corpo inteiro doía. Pensei brincando : "Peguei a gripe suína pela televisão". Passados quinze minutos, já tinha falta de ar, febre, dor de garganta, tosse, e tudo que o diabo poderia arranjar para alguém.

Fiquei preocupado, afinal tive em contato com muitas pessoas, de várias cidades, senão de vários países. Fiquei uma arara. Prometi que se eu morresse, eu iria aprontar uma revolução no céu, ou no inferno (que seja). Não por morrer novo, é por pegar essa gripe sem nem sequer ter saído do meu Estado! Sacanagem! Se pelo menos eu tivesse viajado, conhecido Estados Unidos, Canadá, México... Tudo bem, morreria conformado... Mas não fui nem a Argentina, que é aqui do lado!

Nisso os sintomas iam piorando, tive que me deitar. A cabeça pesando. Até que ligo a televisão, e novamente o mesmo repórter dá mais informações sobre a doença. Diz que a taxa de mortalidade é muito baixa. Fico mais "puto" ainda! Como que me fazem tanto alarde duma doença, se quase ninguém morre com ela? Daqui um mês vamos ter anticorpos para ela, vai ser uma "gripezinha" normal. Até que vejo um ponto bom na história, lembrei daqueles "bons" quarenta dias! Sem precisar de trabalhar, ter obrigações, e talvez ainda iriam fazer compras para mim. Foi quando comecei a fazer uma lista de filmes que gostaria de assistir, de livros para ler, de coisas que gostaria de comer. E caso eu morresse, fiz uma carta deixando meu cachorro para o meu irmão - era tudo que eu tinha.

Feliz, mas com dores, decidi deixar a noite passar, e de manhã procurar um médico para já confirmar minha gripe. Logo de manhã fui atendido. Decepção. O médico me disse que era uma gripe comum, senão uma "gripe psicológica". A gripe suína tinha como sintoma a coriza também. Isso eu não tinha. Briguei com ele. Queria porque queria um exame de sangue. Ele me disse que precisava de um exame psiquiátrico. Não achei engraçado. Fui-me embora. E terminou assim. Sem graça, sem novidades, sem quarentena. Bom, pelo menos estou vivo.