sexta-feira, 29 de junho de 2012

Poema do Injustiçado

No mais, é isso.
Um papel em branco e uma caneta,
um convite e uma porta aberta.
A lágrima em tinta preta.

Cansado de usar os ouvidos,
Torno-me surdo para o cotidiano.
Talvez os sons das vozes tenham ficado roucos,
vítimas da cólera e do egoísmo desumano.

É isso, no mais.
Porque no fim, ainda envelhecemos,
e a morte é a certeza instaurada em nossos corpos.
As vozes ainda ignoram a lei, roucas.
Assim como a justiça, vozes roucas têm olhos cegos,
E o brilho no olho vem do ouro cobiçado.
E o ouro cobiçado vem de outrém roubado.
Roubado, Assassinado, Decapitado e Esquartejado.
Porque a Justiça é cega, e não enxerga os pequenos.

E esse é o poema do Injustiçado,
Entoando as notas de um mundo real em carne crua.
Seco, ríspido, violento e verdadeiro.
Porém disfarçado na bondade tua.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Sol

Viver pode ser fascinante, caso você olhe o mundo como um menino. Caso você esqueça das telas de computadores, de limites de cartões de crédito, de relatórios a serem entregues. Se você simplesmente olha a mesma coisa, notando que ela está 1 dia diferente. Se você é capaz de sentir novidade, energia e a mão de Deus em cada parte da sua vida.

Se você abre seu peito, e deixa o mar entrar. Invadir e levar tudo de ruim que está guardado por dentro. Com o mar virão os peixes, o Sol e céu azul. Poderão vir também nuvens de chuva, e o tempo nublado. E o que importa? A chuva deve cair e molhar sua pele, penetrar na sua alma, lavar suas tristezas! Porque quando o Sol voltar, você deve brilhar!

Esteja pronto para brilhar! Mas brilhe com todas suas forças, brilhe com a intenção de iluminar, e fazer brilhar outras pessoas. Não deixe sua luz se apagar por nada. E que essa seja sua única missão: Ser luz.

E se sentir sua luz fraca, olhe para o Sol, mesmo que por detrás das nuvens ou refletido na lua, e lembre-se que sua fonte incessante de energia está ali, sempre. Deus também - ao seu lado.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Felicidade

Não sou feliz em plenitude. Ainda sou bem humano, e por mais que eu tenha muito mais do que mereço, ainda fico triste. Mas hoje pensei e percebi que existem duas óticas para a felicidade: Uma é ser feliz sob sua própria ótica, viver o que você pensa que te faz e fará feliz. A outra é ser feliz pela ótica dos outros, e viver perdido, porque os outros são muitos, e mudam de ideia a todo instante.

Por mais que sua ótica esteja errada, ela é sua. E de algum modo, você se orgulhará disto.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Nude (Radiohead)


Don't get any big ideas
They're not gonna happen
You paint yourself white
And fill all with noise
But there'll be something missing

Now that you've found it, it's gone
Now that you feel it, you don't
You've gone off the rails

So don't get any big ideas
They're not going to happen
You'll go to hell for what your dirty mind is thinking

sábado, 7 de janeiro de 2012

Astronauta


Acho que ando um pouco desiludido,
como se o tempo corroesse meus sonhos,
assim como o ferro que corrói no tempo.
Também não quero assumir nada que me faça pensar demais.
Quero ir passando de porta em porta do meu eu,
entrando em cada canto,
Revirando tudo que já conheço,
E iluminar os quartos que ainda estão escuros.

Quero continuar guardando as fotos dos meus entes queridos - vivos ou não,
e queimar todas as figurinhas e pôsteres daqueles que são apenas ilusões.
Gosto do meu silêncio interior, da minha conversa comigo mesmo.
Mas é que eu sei o que eu vou responder, a cada pergunta que faço pra mim.
Jogar xadrez você mesmo, pode ser algo interminável.
Mas se eu ganhar ou perder, quem ganha e perde sou eu.
Ganhando e perdendo na mesma jogada.
Uma forma de continuar sendo zero.

Sinto que a cada dia, vou me isolando mais.
Não que eu não tenha amigos, família e amantes.
Mas existe um grande espaço entre mim e todos eles.
E de uma forma doente eu mantenho este espaço.

Talvez se eu fosse um astronauta perdido no espaço,
Eu me encontraria.
E ao me econtrar, ficaria sozinho.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Ano Novo

Senhoras e Senhores,
Sejam bem vindos ao novo ano.
Olhem ao seu redor, e vejam que na verdade, nada mudou.
As dores ainda continuam,
Os corações partidos ainda levarão um tempo para se reconstituírem.
O tráfico, o trânsito, a miséria,
Na verdade estão até piorando.

Olhem para um espelho, e vejam o quanto mudaram.
Pode até ser que neste ano que passou, você tenha ganhado uma cicatriz.
Um mancha de sol, ou as vezes nem mudou em nada.
Pode ser que tenha engordado uns quilos, ou emagrecido.

Mas no fundo, o mundo continua o mesmo.

Porque quem analisa de ano em ano, de mês em mês ou diariamente,
não pode perceber mudanças.
Porque a maioria das grandes mudanças leva mais de um ano para acontecerem.
É preciso começar mudando coisas pequenas,
Melhor ainda, começar com planos e planejamentos.
Conseguir visualizar coisas melhores daqui 4, 5 ou 10 anos!

Senhoras e Senhores,
Ao mesmo tempo em que comemoram o ano novo,
E se fartam com ceias majestosas e bebidas caras,
Se esquecem das famílias que estão agora em casa com fome.
Das pessoas que estão sozinhas, precisando somente de um telefonema que tenha a mensagem de um ano novo.
E nem mesmo respeitam o lugar onde estão,
Deixando as praias intensamente poluídas.

Porque Senhoras e Senhores,
Afinal, hipocritamente esperamos um ano novo,
Fazendo e ignorando tudo e todos da mesma forma de sempre.
A mudança começa de dentro de nós mesmos.

Senhoras e Senhores,
Para um feliz ano novo,
Desejo para sua felicidade,
Um ano de intensas mudanças internas.

A recompensa só vem depois do trabalho.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Conta-Gotas

No conta-gotas,
No ponteiro do relógio,
cada segundo.

Cada parte do tempo,
Um sorriso,
Um olhar,
Uma lembrança.

Depois a pele enrugada,
E o sorriso.
O olhar,
E agora lembrança.

No conta-gotas,
A vida se vai,
Como as gotas da chuva,
Como o rio para o mar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Essência

Do perfume quero toda a essência em uma só gota.
- E que a gota me provoque náuseas, me irrite, me apaixone.
Da poesia inerte nos papéis, eu quero as lágrimas derramadas.
- E que as lágrimas sejam o sabor do mar, do corpo e do sentimento.
Da música, dos acordes e das notas quero o ritmo.
- Que o ritmo bata o coração, e que seja acelerado, que seja um tango!
Da pintura, quero as tintas, cor por cor, tom por tom.
- Das tintas quero que sejam derramadas, jogadas contra tudo, sem pudor.
Do teatro, quero a cena, quero a máscara e a falsidade.
- Que a falsidade continue fazendo com que o sentimento seja verdadeiro.

Quero tudo que seja intenso.
Quero tudo que dure eternamente em um momento.

Por hora, é o que quero.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Nostalgia

O tudo é o agora.
E nem o agora já é agora mais.
Logo tudo passa, e já não é mais tudo.
Seja isso ou aquilo, o agora ainda é tudo.

Não existe profecia que dure para sempre,
Não existe caminho sem fim,
Há quem diga que nem o infinito exista.
O que então se diz de mim?

A pior dor é amar o que passou.
Ficar preso segundo após segundo no presente.
Perdido nos momentos de outrora,
Desejar ontem e ver amanhã.

Deus faz tudo certinho,
Já dizia minha avó.
Só queria poder voltar alguns momentos,
Pra nunca mais ficar só.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Mar


Navego em águas que me conduzem a um destino.
Navego sem saber qual é esse destino.
Por vezes me afogo nas águas que invadem meu navio,
e que sempre buscam meu naufrágio.

Sempre volto a tona.
Sempre estou de cabeça erguida para a próxima onda.
O incrível, é quanto mais fortaleço meu navio,
Quanto mais o torno grande, mais fortes são as investidas,
Mais fundo as águas me levam.

Em alguns momentos penso em desistir.
Talvez morrer afogado não seja tão ruim.
Talvez o fundo do mar seja o destino que Deus me deu.
E morrer, mesmo que afogado, pode me trazer paz.

E assim como as águas, que me levam,
sigo sem tomar nenhuma decisão.
Apenas aguentando firme as tempestades no mar.

domingo, 25 de setembro de 2011

Corrida




E na correria de chegar antes do ponteiro do relógio,
Na correria de correr mais que os pés.
Acabo correndo demais, e muito além do que os outros.
Corro para os outros.
Uma vez que correr pra mim é inútil, sem graça.

Queria simplesmente sair correndo.
Além dos limites da Terra.
Correr mais que meu corpo, deixar esse peso - e os outros pesos.
Queria sentir paz.
A forma de chegar mais perto dela tem sido correr.

Correr de forma a não ter tempo de ter problemas.
De forma a conquistar troféus para os outros.
De subir em pódios e ser visto como alguém sem problemas.
De ser visto sorrindo nas fotos, e esquecido no momento seguinte em que se viram as páginas do jornal.

Só quero que me vejam sorrindo. Forte. Correndo. Subindo em pódios.

Por correr, corro sozinho.

E quando eu me cansar, e parar de correr, por favor, apenas me esqueçam.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Separação

Os seres humanos separam uns aos outros por categorias.
Separam homens por raça, separam por cor, separam por sexo e condição sexual.
Separam por cargo, por profissão e ainda separam-se em hierarquias.
Os religiosos se separam em fiéis, em hereges, e em doutrinadores.
O países se separam em norte e sul, em desenvolvidos, em subdesenvolvidos e em emergentes.
Separamos as pessoas por idade, por escolaridade, por classe.
Separamos pessoas por dinheiro e por interesse.
Separamos as pessoas que amamos daquelas que apenas gostamos.
Separamos em família e amigos.

O ser humano separa tudo que for diferente entre ele e seu semelhante.
Você é isto, e eu sou aquilo.
A parte sem o todo não é parte. E o todo sem a parte não é o todo. Já dizia Gregório.

Separando-se, partes sentindo-se o todo, esquecem-se que são partes.
E de tanto separar,
Se parar,
Acaba sozinho.

sábado, 25 de junho de 2011

Deus

Perdi o controle.
Agora saio do zero absoluto de Kelvin,
para os milhares de graus centígrados de Anders Celsius (e vice-versa)
- em alguns segundos.

Consigo dançar e estar triste ao mesmo tempo.
Consigo amar e não sentir nada.
Consigo ler e não entender uma só palavra.
Consigo fingir tudo o que sou.

Debato filosofia sem conhecer nenhum filósofo.
Analiso a questão política nacional sem ler os noticiários.
Vendo produtos que nunca provei, e garanto satisfação total.
Invento coisas que nunca sairão do papel.

Cheguei a conclusão de que não sei mais qual é meu personagem.
De tanto me imitar, não sei mais quem imitar.
Desesperado. E sim, angustiado.
Meu personagem não gosta de falar que está triste,
Uma vez que isso mostra fraqueza. E as pessoas sabem cutucar suas feridas.
Principalmente as abertas.

Já não sei mais se minhas alegrias, são apenas formas de fingir que algo está bem.
Desconheço a origem do meu problema. Matematicamente não sei a solução.
Matematicamente, tudo deveria ser proporcional (direta ou inversamente).
Não vejo proporções.

Pecado é sentir tristeza em meio a tanta felicidade.
Mas Deus, se estou assim, só Você sabe a resposta.
Porque Você é o que a matemática não descreve,
E aquilo que os homens não entendem.

Preciso de Você. Agora, em cada poro da minha alma.

domingo, 17 de abril de 2011

Pedaço de pão



Tem poesia querendo sair.
Tem palavras desconexas sussurrando na minha cabeça.
Assim como alguém que não quer nada.
Cada uma me comprimenta, dá um sorriso e se vai.

Elas querem minha iniciativa.
Elas sabem que não quero mais ouvir,
não quero mais bater meu coração.
Elas me mostram um outro personagem.

Pois então, suas vadias,
Fiquem com esse pedaço de pão!
Levem minhas poesias,
Meus pensamentos, sentimentos, e tudo o que encontrarem.

Vocês sabem que logo me arrependerei.
Logo estarei sozinho, com meus livros, computador e músicas.
Amanhecendo amassado assim como todos os dias.
Sabem que ainda amo.

Nunca viram alguém morrendo de amor,
Mas sabem que as pessoas morrem facilmente.