sábado, 5 de junho de 2010

Coração

Acho que tenho um coração.
De carne, sangue e algum tipo de sentimento.
Minha fraqueza, perdição.
Meu coração.

domingo, 16 de maio de 2010

Mecanismos

Ainda continuo sorrindo,
contando piadas e cantarolando no banheiro.
O problema é o que estou sentindo,
Fica me perseguindo o tempo inteiro.

É essa mania de decifrar sorrisos,
Estudar entonações e interpretar olhares.
Essa mania de matematizar tudo que conheço,
de tornar todas almas vulgares.

Assustei quando descobri,
Que em meio tantas jogadas,
Havia algo que pulsava entre
blefes de cartas, caras ensaiadas.

Espero que meu 'sistema' não rejeite esse 'corpo estranho',
Como tem feito todas as últimas vezes.
Embora seja a forma de deixar o sistema invulnerável,
e ao mesmo tempo frio, matemático, mecanizado.

domingo, 9 de maio de 2010

Amigo Imaginário

Eu ainda acredito nos meus amigos imaginários.
Definitivamente.
Ainda acredito que exista uma amizade ideal.
Amigos daqueles que sempre estarão com você,
Não importa sua cor, sexo ou condição financeira.

Ainda acredito que encontrarei meu amigo imaginário.
Meu amigo que acredito estar em todos meus melhores amigos reais.

Meus amigos reais não estavam presentes nos meus momentos mais tristes.
Meus amigos reais não sabem nem metade dos meus segredos mais confidenciais.
Não sorriram comigo nos meus dias mais felizes.
Não fizeram planos impossíveis, não me convidaram para suas aventuras.

Acho que ou idealizei um amigo imaginário muito distante da realidade,
Ou a realidade é que meus amigos não me tiveram como um amigo.
Já tive muitos amigos, que me adoravam quando precisavam de fazer um trabalho da escola,
E logo depois saíam para o clube com a sua turma de amigos.

Meus melhores amigos são o mais próximo que chego do meu amigo imaginário.
E por isso os tenho com carinho.
Serão para sempre uma parte do meu melhor amigo.

domingo, 18 de abril de 2010

Castigo

Poucos sabem realmente,
como é ser quem escreve sentimento.
É algo tão evasivo, falso,
é tanto fingimento!

Pudera o poeta ter algo para sentir.
Uma emoçãozinha se quer.
Uma palpitação no peito.
Uma falta de ar, um desejo com amor.

Ser poeta é um castigo!
É ser condenado a conviver com a solidão,
Saboreando os prazeres da carne,
- Que são tão passageiros,
quanto esses versos insones.

domingo, 14 de março de 2010

Pedra

Não sei o que foi feito de mim.
Eu estava aqui agora pouco,
agora já "estou" outro.
Penso que não sou ninguém,
eu estou alguém.

Quantos de mim ficaram pelo caminho,
E a cada instante vão ficando.
Ainda me lembro quando era um menino,
Corajoso e disposto a mudar o mundo!
Viajar, pisar em terras desconhecidas,
sentir o mais puro amor eterno,
Conquistar o mar e ir ao espaço!

As pessoas sabem pisar nos sonhos alheios.
Ah! E como sabem!
Não as julgo, vivem da realidade
- na sua intrínseca essência.
Mas a realidade é uma pedra.
Seja no caminho ou no acostamento.
A pedra é morta, feia e geométrica.

Da pedra aproveito os sentidos,
Essa incompreensível forma de engolir a vida.
Dançar como os antigos faziam ao som dos tambores,
Tentar o mais próximo possível do êxtase.

Mas depois de tudo, sempre dormimos.
Seja por um tempo ou para sempre.
"Eta vida besta, meu Deus!"

terça-feira, 2 de março de 2010

Cachaça

Ei moço, me dá um real?
Que é pra "mim" comprar o gás,
O gás que acabou junto com o sal.
O sal da lágrima, e a pinga aqui atrás.

Ei moço, prova um bocado,
Essa é da boa! Dum alambique mineiro,
É pinga que fala por si e não deixa recado,
Ela fala, chora e até escreve um texto inteiro!

Moço não me deixe aqui sentado,
Aproxime-se um pouco, me conte sobre seu dia.
Não se assuste com meu olhar embriagado,
garanto que não pela cachaça a minha agonia.

A minha embriaguez vem de outras razões.
A minha cachaça chama-se poesia.
O seu dinheiro foi dado sem emoções,
Mas aqui estou, meu caro, a quebrar tua monotonia.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Fim



Ela estava por aqui.
Veio ver as máscaras do carnaval,
Me deixou assim que saí.
Curioso como tudo tem um final.

Veio assim como quem não quer nada,
Inspirou suspiros de amor, de paixão,
Chegou abalando a alma recalcada,
Beijou o poeta, e depois disse não.

Ah, deixai que ela volte em intenção!
Permitirei que me provoque novamente.
Dela privarei meu coração,
Provarás do meu demônio incipiente.

E no fim, - mais uma vez o fim!
Essa estranha forma de Deus brincar,
Terminando tudo que existe assim.
- Acho que o Fim só não existe para o mar!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Poema Feio II

Estranho o meu coração,
Que na noite quer o dia,
e durante o dia: a escuridão.

Estranha também é essa vida!
Assemelha-se a um navio sem rota,
Um labirinto sem saída.

A vida é uma mulher pelada vestida.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Poema Feio

Aos poucos vou perdendo,
Um pouco de tudo.
E de pouco em pouco,
Não terei "tudo" para perder.

No meu circo já não tem palhaço,
porque pra ele já não tem mais riso.

No meu hospício não tem mais loucos,
porque pra eles já não tem salvação.

No meu inferno não existem demônios,
cansaram-se da falta de ação.

No meu quadro, não tem mais cor.
No meu violão, não sai som.
No meu poema, não tem amor.
Na minha voz, não tem tom.

Um dia meu tudo acaba.
Um dia canso de brincar de ser forte.
Por ora, sou insistente.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Conselho

Garota, ouça um conselho.
Entenda-o por absoluto.
Como um reflexo no espelho,
É um poeta fajuto.

Um poeta não tem sentimento.
Todas as palavras são forjadas,
Em um intrínseco fingimento,
Todas jogadas são armadas.

Uma ilusão em curto prazo,
O poeta precisa do teu amor.
Maldito seja tal parnaso!
Enganando-te sem nenhum labor.

Mas garota, não o tenha com ódio.
Poetas são garotos grandes a brincar,
As conquistas baratas são o pódio,
Para aqueles que não aprenderam a amar.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Versos errantes

Quando meu caos chega ao fim,
fico perdido na calmaria.
Acabo pensando em mim,
E nas filosofias de padaria.

Defino cores para histórias,
Sons para imagens na parede,
Apoiando-me em sutis escórias,
Comendo para matar a sede.

Porque não me satisfaço?
Se ontem mesmo queria ouro,
Agora que o tenho, quero o aço!
Se tenho lã, quero o couro.

Se tenho verde, quero vermelho.
Quando tive livros, quiz televisão.
Quando tiver um cão, terei um coelho.
Quero a moça do meu coração.

Complexos algoritmos pensantes,
Exorcizando demônios em versos rimados,
Versos insones, fúteis e errantes.
Sentimentos secos, sentimentos molhados.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Mal acompanhado

Me sinto tão vazio,
dentro de alguns olhares sorridentes.
Por vezes me sinto tão inútil,
em gestos de amizade e confiança.
Me sinto tão sozinho,
Dentro de fortes abraços.

É tudo tão claro.
E fica tudo tão no escuro.

A vida imitando a arte.
As pessoas fazendo teatro.
Dançando a valsa de um baile de máscaras.
Já dizia o velho ditado:
Antes só,
Do que mal acompanhado.

domingo, 29 de novembro de 2009

Sentença

Pegue todos estes poemas,
Todos meus desejos, sentimentos.
Chega de jogadas, teoremas,
Poesia em lamúrias, em lamentos.

Leve contigo tudo o que restou.
Não apenas palavras, lápis e papel.
Tudo o que a chuva não lavou.
Meu pequeno pedaço de céu.

Se sentir a falta do abraço,
Se não o encontrares n'alguma esquina,
Tenha meu poema em papel ao maço,
Serei teu eterno templo, tua ruína.

Se sentir a falta do beijo,
Caso não o consiga por evento,
Pegue tudo o que eu almejo,
E jogue minhas palavras ao vento.

Porque não há nada em mim,
que a ti não pertença.
Minha perdição, meu querubim,
Meu final, minha sentença.

domingo, 22 de novembro de 2009

Troféus

Hoje vaguei pelas ruas,
Soprei versos como orações.
Resmunguei sentimentos em cochichos.
Me culpei, para depois me perdoar.
Paguei uma bebida a um moribundo.
Escutei seus problemas, joguei cartas.
Depois enchi meu saco, fui embora.

Procurei uma lua no céu nublado.
Suspirei o ar quente da madrugada.
Cumprimentei acenos das prostituas.
Tentei me provar que elas eram boas moças.
Ingênuo.

Tentei dormir, em vão.
Rabisquei papéis, abri a geladeira.
Me embebedei - com coca-cola.
Seria tão mais fácil a vida,
Tão mais simples e menos confusa,
Se você estivesse comigo.

Não preciso de troféus.
Nunca precisei. Nunca os tive.
E nem procuro os ter.
Sou simples, por isso tão complexo.

Talvez por isso, eu esteja aqui.
Escrevendo assuntos íntimos.
Mas que nem por isso, secretos.

Troféus... Ah! Como são dispensáveis.