domingo, 30 de novembro de 2008

Remédio

Eu quero um remédio,
não para doença,
mas para a paradez, o tédio.
Assassinaram minha crença,
Fizeram das minhas palavras, um assédio.

Destruíram minha infância,
Estragaram meus brinquedos,
Me deram responsabilidades, sem importância,
Me fizeram um homem quase sem medos.

Também me deram um grafite,
e um papel velho abandonado,
Esqueceram-se do meu palpite,
e do meu lado transtornado.

Do papel sujo e esquecido,
Faço um porta-poema - não menos abandonado,
exceto por mim - um egoísta alucinado,
Que não empresta as palavras para qualquer alma.

Se alguém quiser vê-las,
precisa primeiramente entendên-los.
Assim tão difícil, como que me achando Pessoa,
Sou assim, e para me entender basta vê-las.
E para vê-las, precisa entendê-los.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Cansaço

Cansado.
Não cansado como se cansa de correr,
ou se cansa de pensar,
tão menos cansado de viver,
é como alguém que se cansa de amar.

É vontade,
de sentir a chuva molhar a pele,
de sentir o gosto da terra,
de abraçar uma árvore,
de correr nas ruas da minha infância,
jogar bola com os moleques,
soltar peão, empinar pipa,
andar de bicicleta,
correr...
Não como se corre para manter a forma,
ou para manter a saúde,
Ou correr contra o tempo,
que a cada dia fica mais curto.
Correr para o nada,
sem dever nada.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Espelhos



Já não sei onde estou,
Nessa sala de espelhos.
Não dá para saber quem sou,
Com tantos clones semelhos.

Olho para o outro,
e vejo meus olhos com inocência.
São provas silenciosas
de que continua a essência.

Mudo de corpo a cada momento,
Escolho qual me satisfaz.
Com tantas alternativas sem escolhas,
a decisão é fugaz.

Quando entrares na sala especular,
Tenha consigo uma pedra-sorriso,
É tudo que basta para me quebrar.

domingo, 26 de outubro de 2008

De olhos tapados



Sabe aquele garoto,
assim tão sem-graça,
com sorriso no rosto,
querendo não magoar ninguém?

Ele é daqueles garotos,
que se tiver algum,
não têm muitos talentos,
nem muitas habilidades.

Sabe aquele rapaz?
Aquele que é forte e valente?
Na verdade é aquele garotinho.
Que chora quando está escuro,
Que chama sua mãe quando quer carinho.

É aquele rapaz que diz coisas sem sentido,
que ninguém parece entender - ou finge não entender.
É aquele rapaz que tapa os olhos para ver um caminho.
Na fiel esperança,
De que o caminho irá tapar o garotinho.

Sabe aquele rapaz?
Que é garotinho?
Só deseja um sorriso,
Fora isso,
Tape os olhos,
e veja novos caminhos.

sábado, 18 de outubro de 2008

O que você faz?



Chegado o momento,
Nenhuma invenção humana causou bem a natureza.
Nenhuma ação foi pensada racionalmente.
Nenhum pensamento humano respeitou o ambiente.
Um lápis simples dizima florestas,
Uma roupa polui águas e mata animais.
Nada respeita a troca equivalente.
Nenhum alimento industrializado alimenta.
Apenas mata, aos poucos.
Mas é o que se tem para comer.
E o que vai acontecer?
Quem vai parar o sistema?
Rezo para que a morte seja rápida, e sem dores.
Para mim, para as plantas e animais, e para vocês.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Medo


Sinto medo.
Pronto estou dizendo, o que sinto agora.
Um medo não sei de quê, vindo não sei de onde, de uma presença que persegue por todos os cantos que se vá.
Mas é o que me estimula. Medo não é covardia. Covardia é ser subordinado a ele.
Mas creio que o medo vem das coisas novas.
Você teme pessoas que não conhece, lugares que não conhece, comidas que não conhece.
Caracterizado. Entende-se o medo.
Agora é possível lidar com este fantasma.
Abrace-o. Arrisque-se.
Não vim aqui dar dicas de como lidar com o medo,
e hoje tão menos para escrever versos.
Vim me organizar.
Entendi o medo. Espero que tenha entedido também.

Vem comigo?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Destoando



Incrível é como as coisas acontecem. Um das melhores coisas é separar um cantinho no coração para as pessoas que ama, ou que gosta, ou que conhece. Incrível como tudo flui naturalmente, como um sorriso muda a vida de uma pessoa. Como palavras cuidadosamente separadas pelo coração, sendo assim tão "impensadas" podem dar um novo tom, uma nova cor. É como uma fotografia de uma árvore em preto e branco, em que uma flor tem cor. Distoa. E vibra. E novas melodias ditarão um novo ritmo. Como é bom se deixar levar no barco para o futuro, e tentar aproveitar cada segundo da viagem. Fazer tudo como se amanhã não fosse acontecer o amanhã. É uma nova aura. É a esperança, e a felicidade que se aliam e vêm fazer companhia a nós. Não mais ela e eu. Agora são vocês e eu. Um grupo. Cansei de dualidades. Duetos, provacando tristes sonetos. Minha vontade não é mais de gritar, e sim de cantar. E dançar a música, e não me importar com o que vão conversar. Aproveito o dia, da minha forma. Que se julgue a pior, mas já foi dito. Sem julgamentos, sem ressentimentos. Eu sigo o meu caminho, escolho o meu futuro. E eu escolho você. Rainho de sol, brilhando no alvorecer. Vivo tudo, não quero apenas fotografias em carvão-papel, quero pintar com cores novas. Destoar.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Refúgio

Procuro um lugar só meu
- Mas também pode ser seu.
Até porquê já cansei de encarar minha amiga.
- Muito imprudente, ela.
Quero um lugar com água, céu e brisa,
- Um pouco de música não faz mal.
Quero a ignorância e a simplicidade
- Saber cansa, e para viver precisa saber.
Quero também um par de asas,
- Para aproveitar o céu que eu desejo.
Quero um coração limpo e sincero
- Ou que tente ser sincero ao me amar.
Quero a desorganização,
- Um tanto arte, um tanto destruição.
Quero, quero. Quero?
Posso, posso. Posso?

São apenas palavras jogadas,
Psicografadas de um coração "morto".
Mas que insiste em bater,
No débil instinto de viver.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Flechas

Uma palavra proferida jamais volta atrás,
Diz um provérbio.
Um palavra pró-ferida qual uma flecha,
usada para dilacerar a carne,
Fica sempre perdida no que os físicos
poderiam nomear de tempo-espaço;
- e que eu nomeio de lembrança.
Porém qual a flecha, existe o remédio,
o remédio que cura a dor, que cicatriza o corte.
Uma palavra assim, potencializada pelo arrependimento,
tem mil vezes o valor da palavra-flecha.
A palavra doce e amiga,
que flui não flui apenas dos lábios,
mas de dentro do peito.

domingo, 3 de agosto de 2008

"Ame, pois, a vida."

E ele seguia assim...
O mundo por si só já bastava.
Para qualquer dor,
existe uma anestesia.

Para uns, o vício,
Para outros, a poesia.

Assim munido,
as feridas cicatrizam.
A dor passa.
E as marcas se eternizam.

Quando o vento trocar as páginas do livro,
E roçar nossas faces, levando com ele, a juventude,
Quando o sorriso vigoroso se tornar uma curva deformada,
E nossas mãos trêmulas demais para segurar uma caneta,
e não conseguir rascunhar um papel.

Me perguntarão o que fiz da vida.
Responderei, singelamente.
A Amei.

domingo, 20 de julho de 2008

Dilacerado


Dilacerado.
Meu coração bate assim.
Se algum dia, você encontrar essa mensagem;
Você saberá que por debaixo de todas as máscaras,
tem um coração batendo muito machucado.
O pior de tudo, é saber que o remédio não existe.
Tenho que me contentar que o tempo cura tudo.
E me contento.
Quero muito parar de viver um dia por vez,
Quero viver a partir de agora,
Viver a vida toda em um dia.
Do passado farei páginas esquecidas numa escrivaninha,
Dos bons momentos, imagens em esquecidos porta-retratos.
Tentarei seguir assim,
Com asas,
porque com os pés já não posso mais.

domingo, 13 de julho de 2008

Tronco.



Já não sei o que vai ser de mim.
Me podaram todas as raízes, virei um tronco solto, carregado pela chuva, e pelo vento.
Quero que pelo menos, me transformem em cadeira, mesa ou armário.
Que me limpem pelo menos uma vez por semana, que me envernizem a cada 2 ou 3 anos.
Porque do tronco, raízes não brotarão mais.
É doloroso esse destino, mas é o que a natureza quer.
Se não me transformarem em nada, pelo menos servirei de sombra para animais pequenos,
de moradia para fungos e musgos, e mais tarde de adubo para a terra.
E é isso que quero pensar. Vou ignorar todo o meu passado brilhante, de desejos e planos de ser a maior árvore da mata. Serei apenas um tronco, a disposição de tudo e todos, contente com o que me foi designado.
No meu tronco, onde corria a seiva nutritiva, hoje temos canais empedrecidos.
Onde tinha o grito, hoje a lágrima, amanhã o silêncio.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Quem é você?

Quem é você que se diz chamar João, Carolina ou José?
Quem é você que se diz ser Professor, Médico ou Engenheiro?
Quem é você que se diz ser o Esperto, o esforçado ou um mané?
Quem é você que se diz mal-sucedido ou que não precisa de dinheiro?

Pergunta sem resposta, filosofia de botequim,
Qual resposta daria a um pergunta perturbante,
Tão complexa e ao mesmo tempo tão simples assim?
Deixa a alma em agonia, em transe inquietante.

Você é feliz como o Joaquim também é,
O Joaquim é atleta assim como a Ana,
Que as cinco horas da manhã gosta de já estar de pé,
Uma característica dos Brasileiros que trabalham com a cana,
Com o gado no pasto, com a colheita do café.

Você é religioso assim como Marcelo também diz ser,
Mas também pode ser um ateu materialista assim como algum Padre,
Que é "padre" de muitas crianças de mães solteiras "sem querer",
Você pensar que SOU ousado, que ataco a Igreja ou até mesmo um pagão,
Mas mantenha a Igreja fora disso, que ela tem parte do meu coração.

Eu sou aquele que odeia versos com rimas baratas,
Assim como as que estou a escrever agora,
É que elas escorrem como as águas das cascatas,
Enquanto não me esvaziam não me deixam ir embora.

Pois nós somos assim,
Eu um pedaço dos outros,
você um pedaço de mim.

domingo, 29 de junho de 2008

Musa



Amiga fiel de todas os momentos,
Não me deixe mal acompanhado agora,
Só você compreende meus sentimentos,
Por favor, peço para que não te vás embora.

Gosto da tua voz, da tua música.
Da tua suavidade perigosa.
Todos poetas padecem por uma musa,
Padecerei pela mais esplendorosa.

Tu és minha obra e minha criação,
Sinto-te como uma presença iluminada,
Fruto do que diz meu coração,
Dizendo tanto e não falando nada.

Não me abandone quando tudo parece frio,
Teu hálito é o que me aquece na noite escura.
Tu és como uma filha que crio,
Para a minha dor, você é minha cura.