quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sobre ela

Ela era uma menina, dessas que brincam de boneca, que andam de bicicleta, e que crescem mais rápido que o gramado de um jardim depois da chuva. De menina, se tornou uma jovem, dessas que sonham, e que se esforçam para garantir seu lugar no mundo, e sabem como chamar a atenção no momento certo.

Essa jovem, de certa forma, costumava usar bem esta estratégia. Porque ela não era a mais bonita da classe, nem a mais inteligente, não colecionava prêmios ou medalhas. Era uma jovem comum, vestida em seu uniforme escolar, repetindo dia após dia a rotina de escola e casa. Talvez, também por isso, essa menina fosse tão atraente para um garoto sem talento algum - desses que são sempre os últimos a serem escolhidos para montar um time de futebol.

Os pais precisavam trabalhar muito para suprir todo o potencial dessa garota, e assim ela se tornou um pedaço de mãe e de pai para seus irmãos mais novos. Poucos entenderão a intensidade do o amor dela para com eles. Ser co-responsável de outras vidas já quando pequena, adicionou uma certa maturidade ao seu perfil. Ela mesma já não sabia mais quando foi que se tornara adulta - não a disseram.

Então descobriu - de forma rápida e agressiva como um tapa no rosto - que se tornara uma mulher e que a vida não é feita para meninas. Desde então, luta dia após dia na busca pelo seu sucesso. Essa luta arde, como arnica na ferida. Arde e a faz forte, e corajosa - até mais que muitos homens. É difícil assumir que uma mulher é mais forte que você, quando você é um homem. E ela é.

Tão forte que, antagonicamente, é frágil em seus sentimentos. Eles são como a gema de um ovo, guardados com muito zelo atrás de uma rígida muralha de cálcio - e um ar sério - de milímetros de espessura.

Mais fácil seria contar o número de gotas de água no mar, do que descrever essa mulher em suas infinitas características. Mas o mar, é bonito e a gente não cansa de ver. Ela é assim, incansável de amar.

Para Maria Alice

sábado, 2 de novembro de 2013

Evolui

Evolui-te, que para trás não tem volta.
Cresce, que é para ajudar os menores.
Corre, que o tempo passa rápido.

Não existe chegada, nem há tempo para parada.
Não existe fim, pódio ou paraíso.
Nem mesmo o inferno existe.
Imagina inferno mais aterrorizante que o infinito?

Progride, que é melhor que ser levado pelo progresso.
Trabalhe, que é a razão em um primeiro passo mais próxima da existência.
Persiste, que é assim que a água lapida a pedra.

Não existe segurança, nem paz.
Nem mesmo a Guerra mantém a paz.
Busque a paz, porque ela está além do horizonte.
E o horizonte é inalcançável - e portanto, uma meta.

Ninguém é teu superior, nem teu inferior.
Teu próximo é teu amor, superior, maior.
Teu amor é tua razão, teu motivo.
E tua única luz, norte, guia.
Corre, Cresce, Ame, Progride, Trabalhe, Persiste, Evolui.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Espaços

Ela foi embora.
Deixou espaços por todo lado.
Sobra espaço nas cadeiras da mesa de jantar,
Espaços no sofá,
Espaços em um abraço aberto,
Espaços ao lado esquerdo da cama,
Espaços no banheiro ao escovar os dentes,
Espaços por toda a casa,
por todas ruas, bairros, cidades.
Incompletáveis.
Espaços tão vazios como meu peito agora.
Um coração que agora é um salão de festas,
depois que a festa acabou,
a última pessoa se foi,
e a luz se apagou.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Folha em vento

Uma folha em branco,
Pronta para ser qualquer coisa,
Um avião, um barco, uma música, um poema.

Uma folha da árvore,
Pronta para deixar o galho,
e voar ao vento rumo ao seu fim.

A cor branca, ou a folha verde,
Prontas para serem esquecidas,
E serem esquecidas em algum capítulo.

domingo, 19 de maio de 2013

Filosofia sobre a vida (desabafo)

Penso sobre o que enfim é a vida, e a razão pela qual a seleção natural transpassa os muros da natureza. A seleção natural está presente em cado ato e pensamento humano, e entendê-la me leva a um ponto de quase loucura. Assim como acontece com os animais, o estado de vigília é constante. A qualquer momento, uma decisão errada pode levar ao seu aniquilamento.

Estou cansado. Esse é o ponto. Reestruturar-me internamente a todo instante, com o objetivo de me adaptar à cada situação, tem me desgastado muito. Assumir que sou um perdedor, afinal de contas, seria mais fácil, se o ímpeto de sobrevivência não fosse natural.

Estou cansado de forçar a todo instante um perfil vencedor. Estou cansado de me submeter às regras sociais que me impuseram na infância, de ouvir calado, de falar baixo, de ser gentil. - A regra é válida apenas para mim, e é mutiladora. É como ser um peixe pequeno sem uma nadadeira. Sou alvo fácil.

A maioria dos meus princípios me fazem fraco. Agora penso que foram ditados por um sistema através de costumes, de religião e de mídia.

Mas se eu ficar forte, se eu sobreviver, para onde eu vou? Realmente valerá a pena? Ensinaram-me que um homem sem princípios, é um homem infeliz. Mas um homem também sofre por manter seus princípios.

Não existem respostas!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Utopia I

O mundo não precisa ser tão ruim, e com toda certeza que sou capaz de reunir para fazer uma afirmação tão séria a um clichê tão barato, eu me convenço. Não precisamos das notícias dos jornais para nos dizer o contrário, nem de uma pessoa que nos diga que o mundo é assim e sempre será. Não existem razões para continuar no mundo se ele precisasse continuar como está. Sim, para aqueles que acreditam no "sistema", e usarão essa ideia para dizer que viemos para suportá-lo, de uma forma passiva, sim, vocês estão certos! Está aí uma boa razão para existir e deixar que tudo continue como está. Mas perceber o sistema, e continuar não fazendo nada para melhorá-lo, é tão burro que chega a ser incoerente com o fato de ter sido esperto o suficiente para percebê-lo.

E para tornar o mundo melhor, não precisa se tornar um presidente, nem fundar uma ONG que cuida das crianças com fome na África. Basta fazer o que você pode. Contar até 10 antes de uma discussão, falar bem das pessoas que conhece, conversar com seus amigos... Se você for um médico, você pode atender uma ou duas pessoas carentes em um final de semana, se for um engenheiro pode ajudar a sua cidade ou um hospital, assim como se você for um pedreiro, pode ajudar um vizinho a terminar sua obra. Tem trabalho para todo mundo, e então, você pensa "o que eu vou ganhar com isso?".

A resposta é que eu também gostaria de saber. Mas não sei. Mas de alguma forma, iremos nos ajudar, e de alguma forma isso começa a mudar essa situação que vivemos - Cada um no seu quadrado. E você pode começar a pensar que sou um maluco, querendo pagar de bom moço e que não sei como é a vida de verdade. E você também está certo, porque se você  percebeu fui eu quem escrevi a frase anterior, então saiba que eu já sei disso. Mas ainda assim, eu acredito que podemos mudar. E acredito que possamos amenizar tudo de ruim que vemos nos noticiários, na nossa vizinhança e em nossas casas. É como acreditar em Deus. Se você acredita, você não precisa ver, e nem precisa de razões para não acreditar. Ele de alguma forma existe para você. Eu acredito que também podemos acreditar em um mundo melhor. Porque é enfim, o que queremos.

Olhe ao seu redor, tudo que você usa levou anos para ser como é. Quanta pesquisa, quanta arte e esforço não foram gastas, para que você esteja confortável agora? Quantas mentes brilhantes construíram o seu celular e todo o sistema para que você possa apertar um botão e falar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo?

Precisamos retribuir à coletividade tudo o que ela nos oferece. Precisamos evitar que sejamos estagnados pelo medo, pela ambição, e por outros sentimentos corrosivos. Mexamos nossos traseiros! Façamos valer a pena! Viver com intensidade é desta forma, e não apenas pulando de bungee jump ou bebendo todas nas baladas, como vemos nos comerciais e nas fotos do facebook.

Somos a juventude desta geração, nosso tempo é agora!




domingo, 9 de dezembro de 2012

Diamantes

Diamante fajuto,
Com suas faces de vidro,
e seu formato irresoluto.
Transparente e anidro.

Indestrutível em palavras,
Insípido em ações,
Infértil em sentimentos,
Incolor em sentido.

Diamante anidro,
Insípido e irresoluto,
Acredite! É de vidro!
Transparente mas fajuto!



domingo, 25 de novembro de 2012

Cor Branca pálida

Sinto falta de todas tuas cores,
De todos seus sons.
De todo teu tato, paladar, olfato.

E todas suas cores misturadas, unidas,
como se passassem por um prisma,
em sua única cor branca, pálida.

E me sinto um bobo quando estou com você,
porque não há nada que você não saiba.
Nem conselho que eu não acate.
Nenhuma palavra que você me derrama,
É desperdiçada - aproveito todas.

Sua música, quando quer ficar sozinha,
e ainda me é companhia alegre.
Seu toque é o domínio, o exorcismo dos meus demônios.
Sua presença me faz inteiro, de alguma forma.

Aceite meus pedidos de perdão,
e minhas promessas de ser melhor.
Porque embora eu ainda erre novamente,
saiba que estou mudando todos dias para ser o melhor para você.




Tum-tum, Tic-Tac

Bate, contraí e desamaça,
Na sequência de tic-tacs de relógio,
No descompasso da dança de um bêbado,
Desamaça, embrulha e desembrulha.

Tum-tum, tic-tac.
Tic-tum, tum-tac.
Tum-tic, tum-tac,
tic-tac, tum-tum.

Se arrasta no sapato da rapariga,
e se amassa ao pisar dos passos.
Segue a dança e o movimento,
e se colore de vermelho.
Vermelho de lábio trêmulo,
de pétala de rosa falsa,
de vinho barato,
de sangue vivo.

Bate, desembrulha e amassa,
No escuro que ninguém vê,
Na fluidez do cigarro em fumaça,
Tum-tum, tic-tac.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Nota sobre Deus

Deixar que os dados sejam jogados, sem pensar nas estratégias e nos blefes.
Se Deus existe, Ele toma suas decisões no mundo onde tudo é incerto, onde tudo pode mudar, a qualquer momento.
No mundo aleatório, onde nenhum humano é capaz de controlar, Deus faz suas escolhas.



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Gota de Saudade I

O que dói é ao mesmo tempo aquilo que conforta,
Saber que tudo tem um ciclo, um fim, e também um novo início.
Dói saber que acabou, e que amanhã ao despertar, estaremos seguindo nossas vidas.
Dói saber que amanhã seguiremos em caminhos diferentes,
Caminhos que podem nunca mais se cruzar, e nos afastar cada vez mais.
Dói saber que todos teremos muitos amanhãs, e muitos caminhos, e que estaremos cada vez mais longe.
A dor tem o sabor do mar, em gotas amargas de lágrimas fugidas de um olho que já foi cúmplice de muitos projetos juntos, de muitas coisas erradas que estão a salvo em segredos, de muitos momentos felizes e de momentos que doeram desatinadamente.
Em todos esses momentos, se valeram apena, foi porque estávamos juntos. Foi porque de algum modo, tivemos pessoas que fizeram o coração bater mais feliz, e em sincronia.
O fim, quando chega, marca a alma com uma cicatriz dolorida que se chama saudade. Uma cicatriz que ficará debaixo das nossas roupas do dia-a-dia, mas que nos momentos em que tivermos tempo para encontrar a nós mesmos, em reflexão, nos lembrará de todos momentos que passamos juntos.
Momentos tão doces como as nuvens de algodão no céu, que se evanescem com um sopro de vento...
A pior dor do mundo, é a certeza de que o tempo não volta mais. É sentir-se prisioneiro do presente. É saber que quanto mais se deseja voltar ao passado, mais se é arrastado para o futuro. É involuntário, é violento.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Confissões

Dentre minhas confissões indiscretas,
confesso discretamente que errei.
Errei por amor ao caminho mais encurvado,
por amor àquilo dado como perdido e inviável.
Errei por amor em errar.
Porque errar me dá autonomia sob tudo,
Errar me faz humano e surpreendentemente desprezível.
Errei inúmeras vezes de diversas formas e incontáveis pessoas.
Errei, me confessei aos meus fantasmas ouvintes, e me perdoei.
Os erros me fazem transparente como a água que corre para o mar.
Errei de forma que me tornei adulto,
e agora responsável pelas consequências de cada ato errado.
Devo desculpas por errar?
Porque a cada par de erros, encontro um acerto irrefutável.
Então não me desculpe por me encontrar,
Sou toda essa parafernália de sentimentos, instintos e raciocínios,
que forma seres humanos assim como você.
Errados, que erram.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Circo

No meu circo todos os dias tem espetáculo,
Na minha tenda vermelha cor de céu,
No meu circo toda hora tem felicidade,
Ainda que pintada em máscaras de papel.

Os meus animais são adestrados e inteligentes,
Passam fome por detrás dos panos.
Mas são tão lindos! Quem se importa?
O importante é sempre fazer rir aos insanos!

Meus palhaços são alegres e saltitantes,
Em overdose crônica com seus antidepressivos,
Mas são tão felizes! Quem se importa?
Que se infartem de rir esses subversivos!

Os mágicos são misteriosos e impressionantes!
Usam truques baratos para iludir as crianças,
Mas são magníficos! Quem se importa?
Não há motivos para desconfianças.

Esse é o meu circo,
Dizendo a você mentiras suaves,
Verdades transgredidas na transversal,
Poupando o respeitável público da verdade,
Nua, Crua, Fútil e Cruel,
E tornando o mundo um lugar maravilhoso!
Numa tenda vermelha cor do céu!
Afinal, quem se importa?
O espetáculo não pode parar!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Poema do Injustiçado

No mais, é isso.
Um papel em branco e uma caneta,
um convite e uma porta aberta.
A lágrima em tinta preta.

Cansado de usar os ouvidos,
Torno-me surdo para o cotidiano.
Talvez os sons das vozes tenham ficado roucos,
vítimas da cólera e do egoísmo desumano.

É isso, no mais.
Porque no fim, ainda envelhecemos,
e a morte é a certeza instaurada em nossos corpos.
As vozes ainda ignoram a lei, roucas.
Assim como a justiça, vozes roucas têm olhos cegos,
E o brilho no olho vem do ouro cobiçado.
E o ouro cobiçado vem de outrém roubado.
Roubado, Assassinado, Decapitado e Esquartejado.
Porque a Justiça é cega, e não enxerga os pequenos.

E esse é o poema do Injustiçado,
Entoando as notas de um mundo real em carne crua.
Seco, ríspido, violento e verdadeiro.
Porém disfarçado na bondade tua.