terça-feira, 2 de março de 2010

Cachaça

Ei moço, me dá um real?
Que é pra "mim" comprar o gás,
O gás que acabou junto com o sal.
O sal da lágrima, e a pinga aqui atrás.

Ei moço, prova um bocado,
Essa é da boa! Dum alambique mineiro,
É pinga que fala por si e não deixa recado,
Ela fala, chora e até escreve um texto inteiro!

Moço não me deixe aqui sentado,
Aproxime-se um pouco, me conte sobre seu dia.
Não se assuste com meu olhar embriagado,
garanto que não pela cachaça a minha agonia.

A minha embriaguez vem de outras razões.
A minha cachaça chama-se poesia.
O seu dinheiro foi dado sem emoções,
Mas aqui estou, meu caro, a quebrar tua monotonia.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Fim



Ela estava por aqui.
Veio ver as máscaras do carnaval,
Me deixou assim que saí.
Curioso como tudo tem um final.

Veio assim como quem não quer nada,
Inspirou suspiros de amor, de paixão,
Chegou abalando a alma recalcada,
Beijou o poeta, e depois disse não.

Ah, deixai que ela volte em intenção!
Permitirei que me provoque novamente.
Dela privarei meu coração,
Provarás do meu demônio incipiente.

E no fim, - mais uma vez o fim!
Essa estranha forma de Deus brincar,
Terminando tudo que existe assim.
- Acho que o Fim só não existe para o mar!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Poema Feio II

Estranho o meu coração,
Que na noite quer o dia,
e durante o dia: a escuridão.

Estranha também é essa vida!
Assemelha-se a um navio sem rota,
Um labirinto sem saída.

A vida é uma mulher pelada vestida.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Poema Feio

Aos poucos vou perdendo,
Um pouco de tudo.
E de pouco em pouco,
Não terei "tudo" para perder.

No meu circo já não tem palhaço,
porque pra ele já não tem mais riso.

No meu hospício não tem mais loucos,
porque pra eles já não tem salvação.

No meu inferno não existem demônios,
cansaram-se da falta de ação.

No meu quadro, não tem mais cor.
No meu violão, não sai som.
No meu poema, não tem amor.
Na minha voz, não tem tom.

Um dia meu tudo acaba.
Um dia canso de brincar de ser forte.
Por ora, sou insistente.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Conselho

Garota, ouça um conselho.
Entenda-o por absoluto.
Como um reflexo no espelho,
É um poeta fajuto.

Um poeta não tem sentimento.
Todas as palavras são forjadas,
Em um intrínseco fingimento,
Todas jogadas são armadas.

Uma ilusão em curto prazo,
O poeta precisa do teu amor.
Maldito seja tal parnaso!
Enganando-te sem nenhum labor.

Mas garota, não o tenha com ódio.
Poetas são garotos grandes a brincar,
As conquistas baratas são o pódio,
Para aqueles que não aprenderam a amar.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Versos errantes

Quando meu caos chega ao fim,
fico perdido na calmaria.
Acabo pensando em mim,
E nas filosofias de padaria.

Defino cores para histórias,
Sons para imagens na parede,
Apoiando-me em sutis escórias,
Comendo para matar a sede.

Porque não me satisfaço?
Se ontem mesmo queria ouro,
Agora que o tenho, quero o aço!
Se tenho lã, quero o couro.

Se tenho verde, quero vermelho.
Quando tive livros, quiz televisão.
Quando tiver um cão, terei um coelho.
Quero a moça do meu coração.

Complexos algoritmos pensantes,
Exorcizando demônios em versos rimados,
Versos insones, fúteis e errantes.
Sentimentos secos, sentimentos molhados.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Mal acompanhado

Me sinto tão vazio,
dentro de alguns olhares sorridentes.
Por vezes me sinto tão inútil,
em gestos de amizade e confiança.
Me sinto tão sozinho,
Dentro de fortes abraços.

É tudo tão claro.
E fica tudo tão no escuro.

A vida imitando a arte.
As pessoas fazendo teatro.
Dançando a valsa de um baile de máscaras.
Já dizia o velho ditado:
Antes só,
Do que mal acompanhado.

domingo, 29 de novembro de 2009

Sentença

Pegue todos estes poemas,
Todos meus desejos, sentimentos.
Chega de jogadas, teoremas,
Poesia em lamúrias, em lamentos.

Leve contigo tudo o que restou.
Não apenas palavras, lápis e papel.
Tudo o que a chuva não lavou.
Meu pequeno pedaço de céu.

Se sentir a falta do abraço,
Se não o encontrares n'alguma esquina,
Tenha meu poema em papel ao maço,
Serei teu eterno templo, tua ruína.

Se sentir a falta do beijo,
Caso não o consiga por evento,
Pegue tudo o que eu almejo,
E jogue minhas palavras ao vento.

Porque não há nada em mim,
que a ti não pertença.
Minha perdição, meu querubim,
Meu final, minha sentença.

domingo, 22 de novembro de 2009

Troféus

Hoje vaguei pelas ruas,
Soprei versos como orações.
Resmunguei sentimentos em cochichos.
Me culpei, para depois me perdoar.
Paguei uma bebida a um moribundo.
Escutei seus problemas, joguei cartas.
Depois enchi meu saco, fui embora.

Procurei uma lua no céu nublado.
Suspirei o ar quente da madrugada.
Cumprimentei acenos das prostituas.
Tentei me provar que elas eram boas moças.
Ingênuo.

Tentei dormir, em vão.
Rabisquei papéis, abri a geladeira.
Me embebedei - com coca-cola.
Seria tão mais fácil a vida,
Tão mais simples e menos confusa,
Se você estivesse comigo.

Não preciso de troféus.
Nunca precisei. Nunca os tive.
E nem procuro os ter.
Sou simples, por isso tão complexo.

Talvez por isso, eu esteja aqui.
Escrevendo assuntos íntimos.
Mas que nem por isso, secretos.

Troféus... Ah! Como são dispensáveis.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Carpe Diem



Se desejar algo para a vida,
deseje intensidade.

E quando for correr,
- corra o mais rápido que puder.
Sinta o vento no rosto,
a sensação de estar voando,
sinta o coração batendo forte,
o ar invadindo o pulmão com vida!

E quando for ler,
leia todo o livro,
imagine cada detalhe da história,
detenha-se em cada palavra,
cada frase.
Sinta sua capacidade de estar em outros lugares.

E quando for sair,
Vista-se da forma que achar mais bela.
Sinta-se o dono da noite,
o portador da juventude.
Sorria, beba, divirta-se!

Quando ouvir uma música,
Ouça a letra inteira,
Escute cada instrumento,
cada nota,
e depois o conjunto inteiro.
Dance, grite, cante!
Sinta a energia emanar.

Quando for amar,
Ame.
Amar é ser intenso.

Porque a intensidade,
é a forma de aproveitar o dia.
É a forma mais certa de ser feliz.

Carpe Diem.

(Não é o tipo de texto que gosto de escrever. Parece mais uma receita de bolo. Mas saiu assim).

domingo, 1 de novembro de 2009

Auto retrato

Já fui água morna,
em tempo de luar.
Hoje sou pedra rija,
rocha dura de quebrar.

Não há nada que me aflinja,
Nada que possa me assustar.
Já chorei e escrevi lamentos,
Já pequei em palavras,
gestos e pensamentos.

Então me pus a orar,
na tentativa de ser perdoado,
pelas coisas ruins que não fiz.
Havia esperança de ser abençoado.

Penso que já amei com intensidade,
Senti (todos os tipos de) sentimentos.
Mas dizem que ainda não estou na idade,
Para tais nostálgicos momentos.

Mas é que hoje não sinto.
Meus versos fingem meus sentimentos.
Luz de velas e vinho tinto,
São coisas de cabeças de vento.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tormenta

Essa noite eu perdi o sono,
Já perdi a vontade de dormir.
Encontrei minha tormenta,
meu ponto de desequilíbrio.

Hoje perdi a cabeça,
Até perdi a linha de pensamento.
Encontrei o meu ditúrbio,
O meu lado desconhecido.

Agora perco minha rimas,
métricas, e outras baboseiras literárias.
Porque quando eu me perco,
Eu felizmente encontro você.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Regras

Leia jornais. Leia Machado de Assis.
Seja legal. Seja meu amigo.
Ouça o que o mais velho diz.
Revolucione esse mundo antigo.

Não pise descalço no chão.
Não abra a geladeira depois do banho.
Sal e gordura fazem mal ao coração.
Não converse com um estranho.

Na ferida, use Mertiolate.
Não perca média. Estude, trabalhe.
Cão que morde, dizem que não late.
Se não for ajudar, não atrapalhe.

Case quando tiver certeza de amar.
Ame quando tiver certeza de que irá para a Igreja.
Tenha poucos filhos, para o dinheiro poder sobrar.
Se ama seus filhos, bendito seja!

A vida e suas regras inerentes,
Para aqueles que alguma regra "quebra",
Tolos! Só seguiram regras diferentes,
Mas que nem por isso deixaram de ser regras.

domingo, 4 de outubro de 2009

Chuvas de Verão


Das coisas que disse,
Numa época que se foi.
Quero o esquecimento.
Não porque foram em vão,
nem mesmo porque são tristes.
É que agora, gosto de chuvas de verão.

A certeza de que a chuva passa,
logo mais tem sol.
E amanhã, choverá de novo.

Quero sujar meu tênis velho,
e meu jeans desbotado.
Quero ir (sujo) à bailes de gala,
Quero dançar com as "damas" impecáveis,
Recitar meus versos desprezíveis.
Tocar uma música em um violão,
Pisar nas poças de água,
Roubar rosas.
E jogá-las fora.
- Na sua janela.

E encontrar minha paz,
Meus momentos de criança,
e sem dúvida, de loucura.
Sentar e digitar palavras.
- apagar algumas.
Beber coca-cola.
Ouvir Guns.
Pensar em tudo que fiz,
e dormir.

Esperar amanhã a próxima chuva.
E quando terminar,
encontrar meu pedacinho de céu.